A placa e o luto

Vô, você se foi mais cedo do que esperávamos. Como alguém com o seu histórico de atleta, que parecia um galã dos anos 70, aos seus 70 e poucos anos, pôde partir tão cedo?

Os domingos na vó não serão mais os mesmos. Dar-lhe um abraço apertado, comer uma boa feijoada, churrasco ou bacalhau, beber um vinho, caipirinha ou um champagne. Mais tarde, café com pipoca, que só você sabia fazer.

E bem no dia do meu teste psicológico do TRF. Sim, um Tribunal que faz parte do Judiciário, que você tanto criticava. Mas também sinto que, dialeticamente, admirava o caminho que eu estava percorrendo. Pois sabia que eu queria fazer diferente. E creio que já estava fazendo, aos seus olhos.

Peço um Uber para ir ao crematório. Olho para a celular, e não acredito na placa que vejo. Mesmo quando o carro chegou, e vendo a sua placa, ainda não acredito. Assim que saio do veículo, escuto, como se estivesse me chamando: "Gabu". Olho para o lado e vejo mais uma vez a placa.

Está escrito RIP - Rest in Peace. Enfim, acredito: é o recado de que o senhor está descansando em paz.


Aqui na terra, vamos continuar vivendo. Vivendo para manter o seu legado vivo. Legado de manter a família unida. De ajudar o próximo. De comemorar as pequenas vitórias do dia a dia.

Pois é só vivendo que se luta a morte. Por isso, eu "luto".

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